Milhões de figurinhas são coladas a cada edição do torneio. Mas existe um resíduo que quase ninguém percebe – que está mobilizando escolas, famílias e instituições em todo o Brasil.
Uma tradição que atravessa gerações
Poucas tradições esportivas são tão fortes quanto colecionar figurinhas da Copa do Mundo.
Muito antes de existir internet, grupos de WhatsApp ou redes sociais, crianças e adultos já se reuniam para abrir pacotinhos, trocar repetidas e tentar completar o álbum oficial do torneio.
A Panini, empresa italiana fundada em 1961, transformou essa experiência em um fenômeno mundial. Desde a Copa de 1970, seus álbuns se tornaram parte da memória afetiva de milhões de torcedores.
Em 2026, a febre se repetiu mais uma vez.
Filas em bancas, grupos de troca, eventos de colecionadores e milhares de vídeos nas redes sociais
mostraram que o hábito continua tão vivo quanto décadas atrás.
Mas junto com a diversão, existe um impacto pouco conhecido.
destino correto e não acabem poluindo ruas, rios e aterros.
Por trás de cada embalagem reciclada, existe trabalho humano.
O que sobra depois que a figurinha vai para o álbum?
Quando uma figurinha é colada, a atenção está toda voltada para o jogador, a seleção ou a página que está sendo completada.
Mas existe um detalhe que quase sempre é ignorado.
Toda figurinha autoadesiva deixa para trás uma pequena folha protetora.
É um resíduo leve, discreto e aparentemente sem valor.
Por isso, na maioria das vezes, ele vai direto para o lixo.
Quando pensamos que milhões de figurinhas são coladas durante uma Copa do Mundo, esse pequeno papel passa a ter outra dimensão.

O resíduo que quase ninguém conhece
Esse material possui um nome técnico: liner.
Ele funciona como uma camada protetora da cola da figurinha.
Sua função é impedir que o adesivo grude antes de ser utilizado.
Embora pareça um papel comum, ele possui uma camada siliconada que o torna diferente dos papéis tradicionais que costumam ser reciclados no dia a dia.
E é justamente essa característica que torna sua reciclagem mais complexa.
Por que o liner é difícil de reciclar?
A maior parte das cooperativas e recicladores convencionais não possui tecnologia para processar esse material.
Isso acontece porque a camada de silicone presente no liner exige etapas específicas para separação e reaproveitamento.
Durante muitos anos, esse resíduo teve como destino principal os aterros sanitários.
O problema é que a quantidade gerada durante uma Copa do Mundo é enorme.
Um material pequeno, multiplicado por milhões de figurinhas, deixa de ser insignificante.
A empresa brasileira que transformou um problema em solução
Foi justamente diante desse desafio que surgiu uma iniciativa capaz de dar um novo destino ao liner das figurinhas.
Localizada em Guarulhos (SP), a Polpel Fibras se tornou referência nacional na reciclagem desse material. Utilizando um processo específico para reaproveitar as fibras presentes no liner, a empresa conseguiu transformar um resíduo de difícil reciclagem em matéria-prima para novos produtos.
O trabalho da Polpel ganhou ainda mais visibilidade com a Copa do Mundo de 2026. À medida que mais pessoas descobriram que o papel protetor das figurinhas podia ser reciclado, a iniciativa passou a mobilizar colecionadores de diferentes regiões do país.
O que antes era descartado sem qualquer reflexão passou a ser guardado, separado e encaminhado para reciclagem.
Mais do que uma solução técnica, a iniciativa mostrou que a inovação também pode nascer da observação de resíduos que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

Quando a reciclagem sai do papel e ganha as ruas
O crescimento da campanha fez com que a reciclagem dos liners ultrapassasse o universo dos colecionadores.
Escolas passaram a organizar arrecadações entre alunos e familiares. Instituições, associações e empresas aderiram ao movimento, transformando-se em pontos de coleta temporários. Em muitos casos, a iniciativa também se tornou uma ferramenta de educação ambiental, ajudando crianças e jovens a compreenderem que nem todo resíduo deve ser tratado da mesma forma.
O resultado foi uma mobilização nacional em torno de um material que poucas pessoas sequer sabiam que existia.
Essa participação coletiva reforça uma das principais lições da reciclagem: quando informação e engajamento caminham juntos, o impacto pode ser muito maior do que imaginamos.
Onde descartar o liner das figurinhas?
Uma das dúvidas mais comuns entre os colecionadores é justamente onde entregar o material.
Como o liner exige um processo específico de reciclagem, ele não deve ser descartado junto ao papel comum destinado à coleta seletiva tradicional.
Por isso, o ideal é procurar campanhas, escolas, instituições ou pontos de coleta que estejam participando da iniciativa.
Mesmo para quem não mora próximo à sede da Polpel Fibras, vale a pena acompanhar ações locais. Em diversas cidades brasileiras, escolas, condomínios e organizações têm atuado como pontos de arrecadação, facilitando o encaminhamento do material para reciclagem.
O que as figurinhas da Copa podem nos ensinar sobre reciclagem?
A história do liner mostra que a reciclagem vai muito além das embalagens que já estamos acostumados a separar em casa.
Ela também depende de conhecimento, tecnologia e da capacidade de enxergar oportunidades onde antes existia apenas o descarte.
Um material pequeno, leve e aparentemente sem valor acabou se transformando em um exemplo de economia circular, mobilização social e conscientização ambiental.
Talvez essa seja a principal lição deixada pelas figurinhas da Copa: cada resíduo tem uma história, e conhecer essa história é o primeiro passo para dar a ele o destino correto.
Um pequeno papel, uma grande lição
Enquanto milhões de pessoas tentam completar seus álbuns, um outro movimento acontece nos bastidores.
O papel que sobra após a colagem das figurinhas, antes ignorado por quase todos, passou a mostrar que até os menores resíduos podem gerar grandes impactos quando recebem a destinação adequada.
A reciclagem dos liners é um exemplo de como informação, inovação e participação coletiva podem transformar um problema ambiental em uma oportunidade.
Porque, no fim das contas, o impacto silencioso das figurinhas da Copa não está apenas nas páginas do álbum.
Ele também está nas escolhas que fazemos depois que a figurinha encontra o seu lugar.
Quer mais conteúdos como esse sobre sustentabilidade e consumo consciente?
Acompanhe nosso Instagram e fique por dentro de dicas práticas para o dia a dia.