Catadores de materiais recicláveis: os protagonistas invisíveis da reciclagem no Brasil

Todos os dias, milhares de catadores de materiais recicláveis percorrem ruas, condomínios e centrais de triagem em silêncio, mas o impacto do trabalho deles é tudo, menos silencioso. Eles são a ponte entre o que a sociedade descarta e o que pode voltar a ter valor. No Movimento Bora Reciclar!, acreditamos que entender essa cadeia é o primeiro passo para transformá-la, porque cada atitude conta inclusive a de reconhecer quem faz a reciclagem acontecer de verdade. Neste texto, vamos falar sobre quem são esses profissionais, o que está mudando na forma como o Brasil os reconhece e por que apoiar essa transformação é também cuidar do planeta.

Quem são os catadores e por que eles são essenciais para a economia circular

Os catadores de materiais recicláveis são responsáveis por uma das etapas mais importantes e menos visíveis da economia circular: a coleta, a triagem e o encaminhamento de resíduos que, sem esse trabalho, simplesmente iriam parar em aterros ou lixões. Atuando individualmente ou organizados em cooperativas e associações, esses trabalhadores e trabalhadoras da reciclagem transformam garrafas PET, papel, metal e outros materiais em matéria-prima pronta para reentrar na indústria.

Sem os catadores, boa parte do sistema de reciclagem no Brasil simplesmente não funcionaria. Eles fazem a triagem manual que garante a qualidade dos materiais, viabilizam a logística reversa de embalagens e produtos, e sustentam economicamente milhares de famílias em todo o país. É um trabalho que exige esforço físico intenso, conhecimento técnico sobre tipos de material e, muitas vezes, acontece em condições que ainda estão longe do ideal. Por isso, falar de economia circular sem falar dos catadores é contar só metade da história.

O que está mudando: os avanços recentes na formalização da profissão

A boa notícia é que 2026 está trazendo avanços concretos para a formalização dos catadores no Brasil. Um dos mais importantes vem da Reforma Tributária, que entra em fase de testes neste ano: a venda de materiais recicláveis feita por catadores de materiais recicláveis passará a ser totalmente isenta de tributos, beneficiando mais de 1 milhão de profissionais e suas cooperativas em todo o país. Isso significa mais renda no bolso de quem já sustenta essa cadeia há anos, sem o peso extra da burocracia tributária.

Outro avanço veio da Câmara dos Deputados, onde uma comissão aprovou em fevereiro de 2026 um projeto de lei (nº2600/25) prevendo cursos técnicos gratuitos de capacitação para catadores, com atenção especial à igualdade de gênero, reconhecendo o papel fundamental que as catadoras exercem nessa atividade. O projeto ainda segue em tramitação, mas já sinaliza a direção que as políticas públicas estão tomando. Ao mesmo tempo, tramitam projetos municipais voltados à criação de cadastros oficiais de catadores, pontos de triagem estruturados e apoio à comercialização dos materiais coletados, dando mais organização e segurança a quem trabalha nesse setor.

Hoje, mais de 16 mil catadores já conseguiram se formalizar como Microempreendedores Individuais (MEI), um passo importante rumo à profissionalização, ainda que a informalidade continue sendo realidade para grande parte da categoria. Some-se a isso a Lei de Incentivo à Reciclagem (nº14.260/2021), regulamentada em 2024, que permite que empresas e pessoas físicas invistam com benefícios fiscais em projetos de reciclagem e de inclusão de catadores: só no primeiro ciclo, em 2025, foram apresentadas propostas somando R$ 2,2 bilhões em todo o Brasil.

Vale lembrar que esse caminho começou bem antes: foi a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, que reconheceu formalmente os catadores como protagonistas da cadeia de reciclagem no país. O que vemos agora é a continuidade desse reconhecimento, ganhando corpo em políticas públicas mais robustas e concretas.

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O papel das cooperativas e das parcerias locais

Grande parte da força dos catadores de materiais recicláveis vem da organização coletiva. Cooperativas de reciclagem dão estrutura, segurança e força de negociação a quem, sozinho, teria muito mais dificuldade de sustentar essa atividade. É exatamente esse o caso da Cooperlínia, parceira fundadora do Movimento Bora Reciclar! desde 2019, que reúne dezenas de cooperados dedicados à triagem e destinação correta de materiais recicláveis em Paulínia.

Parcerias como essa mostram como a reciclagem no Brasil avança de verdade: quando empresas, poder público e cooperativas caminham juntos, com estrutura para coleta seletiva eficiente e canais de comercialização justos para os materiais recolhidos. O Bora Reciclar! nasceu justamente da união entre iniciativa privada, cooperativa e comunidade, a prova de que a economia circular funciona melhor quando é construída de forma colaborativa.

Como você pode apoiar esse movimento

Você pode fazer parte dessa transformação de formas simples. Separe corretamente os materiais recicláveis em casa, na escola ou na empresa, facilitando o trabalho de quem faz a triagem. Sempre que possível, priorize cooperativas e pontos de coleta seletiva locais, isso fortalece diretamente a renda dos catadores da sua região. Siga o Bora Reciclar! nas redes sociais, compartilhe conteúdos como este e ajude a espalhar informação de qualidade sobre reciclagem. E se você representa uma empresa, considere como parcerias com o movimento podem apoiar ações de inclusão socioprodutiva de catadores na sua comunidade.

Cada atitude conta

Os catadores de materiais recicláveis são parte essencial da solução para um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo. Reconhecer esse trabalho, apoiar sua formalização e fortalecer as cooperativas que os representam é um passo concreto rumo a um futuro mais sustentável e mais justo. Bora Reciclar! acredita que cada atitude conta, e reconhecer quem sustenta essa cadeia é uma das atitudes mais importantes que podemos ter.

 

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